quarta-feira, 1 de julho de 2009

Cibercultura e Jornalismo

Eu tenho acompanhado, com a freqüência possível, o blog de André Lemos, o Carnet de Notes. Foi nesse blog e nos posts dele do Twitter que tive contato com a expressão "mídias pós-massivas" e, também, "mídias locativas".

Bem, não é de hoje que a cibercultura me interessa e me fascina. Então, imediatamente tentei entender do que se tratava.

A fim de oferecer uma definição rápida, lanço mão da definição que encontrei na Wikipédia: "Mídia locativa é um conjunto de tecnologias e processos info-comunicacionais, cujo conteúdo da informação está diretamente associado a uma localidade". Caso, você queira aprofundar pode ler mais na Wikipédia ou ler a ementa de um curso que o próprio André Lemos deu na FACOM/UFBA.

André Lemos explica as mídias pós-massivas da seguinte forma:

Por função massiva compreendemos um fluxo centralizado de informação, com o controle editorial do pólo da emissão, por grandes empresas em processo de competição entre si, já que são financiadas pela publicidade. Busca-se, para manter as verbas publicitárias, sempre o hit, o sucesso de «massa», que resultará em mais verbas publicitárias e maior lucro. As mídias de função massiva são centradas, na maioria dos casos, em um território geográfico nacional ou local. As mídias e as funções massivas têm o seu (importante) papel social e político na formação do público e da opinião pública na modernidade. As funções massivas são aquelas dirigidas para a massa, ou seja, para pessoas que não se conhecem, que não estão juntas espacialmente e que assim têm pouca possibilidade de interagir. Não há estrutura organizacional nas massas, tampouco tradição, regras. (...) As mídias de função pós-massiva, por sua vez, funcionam a partir de redes telemáticas em que qualquer um pode produzir informação, «liberando» o pólo da emissão (...). As funções pós-massivas não competem entre si por verbas publicitárias e não estão centradas sobre um território específico, mas virtualmente sobre o planeta. O produto é personalizável e, na maioria das vezes, insiste em fluxos comunicacionais bi-direcionais (todos-todos), diferente do fluxo unidirecional (um-todos) das mídias de função massiva. As mídias de função pós-massiva agem não por hits, mas por «nichos», criando o que Chris Anderson (2006) chamou de «longa cauda», ou seja, a possibilidade de oferta de inúmeros produtos que são para poucos, mas que pela estrutura mesma da rede, se mantêm disponíveis. (...) Experiências na internet com blogs, gravadoras e músicos, softwares livres, podcasting, wikis, entre outras, mostram o potencial das mídias de função pós-massivas. Essas vão insistir em três princípios fundamentais da cibercultura: a liberação da emissão, a conexão generalizada e a reconfiguração das instituições e da indústria cultural de massa (Lemos, 2004, 2005)."

Explicar não é simplificar! Nesse trecho, existem coisas para serem pensadas para além das questões relacionadas exclusivamente com as funções comunicacionais. Mas, como não é esse meu objetivo com esse post (o objetivo é registrar os acontecimentos do meu tempo), vou direto ao que me tem chamado atenção.

Eu não sei a partir de quem do Twitter fui informada sobre a questão da não-obrigatoriedade do diploma de jornalismo para exercer tal função. Na época, eu fiquei sem tempo de procurar ler sobre isso, mas, imediatamente, lembrei do André Lemos falando sobre o atraso das mídias canônicas em noticiar o temporal e o caos que se instalou em Salvador há, aproximadamente, 2 meses. A partir de "tuitadas" via telefonia móvel, os "tuiteiros" já estavam sabendo que era melhor ficar em casa ou permanecer onde estavam.

Foi juntando uma coisa com a outra e percebi que a suspensão do diploma é legitimar esse espaço informacional no qual o ex-leitor toma lugar de agente e gera informação que, inclusive, provoca as mídias tradicionais a correrem atrás da notícia.

Recentemente, tivemos o fenômeno da morte de Michael Jackson e da Neda Soltan, no Irã, a notícia sendo gerada no Twitter e se expandindo para as mídias tradicionais, provocando manifestações da população.

Há, no momento, um grande movimento no Twitter contra a sem-vergonhice do Sarney: #forasarney aparece várias vezes durante o dia no "trending tópics". O que o coloca no TT são passeatas sendo convocadas em diversos lugares do Brasil a partir do Twitter.

Eu estou curiosa com essa transformação nos modos relacionais, no fluxo da informação e do conhecimento, nas formas de comércio, etc., que estão surgindo com a expansão da Internet.

Por enquanto, existem poucas pessoas pensando sobre as possibilidades e questões que isso traz para as pesquisa psicológicas. A Comunicação, o Jornalismo, o Marketing, entre outros, parecem estar mais interessados em entender as profundas transformações que a Internet está produzindo no mundo.

Será que a Psicologia é pouco móvel? Ainda vive a necessidade de procurar uma essência, alguma estabilidade, e a inconstância, a fluidez, a impermanência, a virtualidade, a imaterialidade, o novo, o estranho - o estranho - mundo internético a assusta?

Relembrando o diálogo que tive com Bady hoje: isso é fascinante, impressionante, mas não deveria ser horripilante!

P.S.:
1. O diálogo com Bady aconteceu porque ela questionou meu uso da palavra "impressionante" me referindo a determinado acontecimento. Ela disse que não gosta da palavra "impressionante", por isso que só usa "fascinante". Fomos brincando com palavras e eu introduzi a palavra horripilante. Ela disse "horrível e fascinante"! Adorei isso da minha pequena poetisa!

2. Vale a pena, também, seguir o Marcelo Tas no Twitter.
3. Ontem, um pouco antes de dormir, a partir de um texto da Raquel Recuero, fui parar nesse site sobre "The Psychology of Cyberspace". Dei uma olhada rápida. Apesar de muita produção, parece mais uma transposição das mesmas questões para outro ambiente.

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