segunda-feira, 24 de março de 2008

Análise de Narrativas

Minha grande dificuldade até então era estabelecer, mesmo que provisoriamente, um método para levar a cabo minha pesquisa.

Meu problema era que não sabia muito bem como conduzir minha pesquisa a partir do referencial teórico da psicanálise. Em vários momentos, me foi afirmado que a psicanálise só poderia ser utilizada com legitimidade em pesquisa clínica. Eu sempre me perguntei quantas voltas Freud dava no túmulo quando ouvia isso!! A vida toda Freud fez um exercício enorme para se colocar dentro do terreno da interdisciplinaridade, para conseguir um espaço onde pudesse dialogar com outros saberes, sonhou em ver sua teoria sendo útil para além do dispositivo clínico, da demanda vinda de um paciente, e explicando os fenômenos mais amplos da humanidade! Aí, vem pós-freudianos defenderem o purismo! Deve ser o cuidado para manter o mercado.

Enfim, perdi muitas noites sem sono para averiguar a possibilidade de conduzir minha pesquisa em fóruns virtuais sem abrir mão do referencial psicanalítico para explicar, por ex, a feminilidade. A questão era, especificamente, como conduzir essa coleta de dados que permitisse usar a psicanálise como teoria interpretativa sobre amamentação/maternidade/feminilidade/sexualidade feminina.

De duas semanas para cá, as coisas foram clareando...decidi: vou me certificar agora se é pertinente trabalhar com análise do discurso e análise de narrativa, abrindo duas dimensões da minha pesquisa:

1) AD - comunidade virtual: verificar a dimensão coletiva do fenômeno;

2) AN - sujeitos: obter dados de como o coletivo se particulariza para cada sujeito.


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