sábado, 3 de setembro de 2011

Mestre, finalmente!

No dia 12 de agosto de 2011, foi a defesa do meu mestrado.


Banca:


Profª Drª Elaine Rabinovich (UCSAL). 
Profª Drª Andréa Hortélio Fernandes (UFBA).
Profª Drª Denise Maria Barreto Coutinho (Orientadora).
Profª Drª Ana Cecília de S. Bastos (Co-orientadora)


Segue o resumo da minha dissertação.

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SALES, Adalene Torres Barreto Sales. Transição para a maternidade em narrativas sobre aleitamento materno numa comunidade do Orkut.123p. 2011. Dissertação (Mestrado) – Instituto de Psicologia, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2011.


RESUMO

Nos últimos anos, é visível uma mudança epistemo-metodológica nos estudos sobre desenvolvimento humano, que passou a ser visto como um processo inacabado, marcado por rupturas (instabilidade e descontinuidade). Essas rupturas implicam vivências afetivas conflituosas, seguidas por um período de transição, nos quais as pessoas constroem novos significados sobre si e sobre o mundo. Observa-se ainda como efeito um melhor ajuste ao contexto social, ao tempo em que devolvem o senso de continuidade de si e certa estabilidade. O nascimento de um filho é um desses eventos que deflagram um período de transição desenvolvimental. Na transição para a maternidade, a amamentação pode ser uma experiência que, por sua natureza afetiva intensa e conflituosa, engaja a nova mãe em um processo também intenso de ressignificação da transição de mulher para mãe. Assim, um estudo de caso descritivo, fundamentado pelo referencial teórico da Psicologia Cultural do Desenvolvimento de orientação semiótica, selecionou 81 tópicos do fórum da comunidade Pediatria Radical, do Orkut, cujo tema central é amamentação. O objetivo foi descrever e discutir o uso que mulheres dessa comunidade fazem do fórum, considerado aqui como recurso simbólico que as auxilia nesse processo de transição. Além dos tópicos, a experiência da autora desta dissertação também foi considerada. A análise dos diálogos da comunidade, à luz dessa experiência pessoal, caracteriza o fórum como um campo de intensa negociação entre significados muitas vezes contraditórios, no qual algumas mulheres constroem novos significados ou ressignificam experiências. Tais construções permitem melhor ajuste ao contexto social, ao tempo em que devolvem o senso de continuidade de si. Os resultados corroboram o que vem sendo produzido a respeito da utilização de recursos simbólicos em transições desenvolvimentais, pela Psicologia Cultural do Desenvolvimento e sugerem aportes de outras abordagens para compreender um fenômeno atual, complexo e multireferenciado como a produção de narrativas e novos arranjos subjetivos em ambientes virtuais.

Palavras-chave: Psicologia Cultural do Desenvolvimento. Transição desenvolvimental. Transição para a maternidade. Recursos simbólicos. Cibercultura. Amamentação.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Oneness, Mariko Mori


A exposição dos trabalhos da artista japonesa Mariko Mori trata da relação íntima homem-máquina e, também, da tecnologização do mundo.
Wave Ufo é uma escultura gigante de fibra de vidro que lembra uma cápsula espacial. Ao entrar na “cápsula”, o visitante vê imagens e sons gerados por suas ondas cerebrais. Conectando processos fisiológicos e tecnologia para criar nova realidade, a artista alude à dissolução das fronteiras entre ser humano e máquinas.
A instalação Oneness é um círculo de seis alienígenas confeccionados em technogel que reage ao toque dos espectadores: olhos se acendem e se movem, e o coração pulsa. O trabalho simboliza a aceitação da alteridade, o desaparecimento das fronteiras entre eu e outro e entre nações.
Transcircle é um anel de nove pedras de vidro coloridas e brilhantes, lembrando monólitos pré-históricos, controladas interativamente. Mais uma vez, a artista tematiza a dissolução de limites: presente, passado e futuro se misturam na era das novas tecnologias de informação e comunicação.
Em 1991, a filósofa Donna Haraway escreveu o “Manifesto Ciborgue”, apontando uma das características da modernidade: a relação íntima entre seres humanos e máquinas. Na época, pensar em corpos híbridos de máquina e carne era ficção científica.
Hoje, a ciborguização (KUNZRU) é realidade. Acostumamo-nos ao uso da tecnologia para restaurar (prótese robóticas de pernas), para reconfigurar (silicone para modelar corpos) e para melhorar (tênis que aumentam a performance dos maratonistas).
A “mecanização e eletrificação do humano” e “a humanização e subjetivação da máquina” (TADEU) impõem a necessidade de pensarmos sobre (novos) processos de subjetivação.
A subjetividade pode ser entendida como “um molde para as experiências individuais” que condensa ou sedimenta “processos que podem ser biológicos, psíquicos, sociais, culturais, etc.” (MEZAN). Desse modo, modificações radicais produzidas no contexto sociocultural pelo avanço da tecnologia e a ubiqüidade das máquinas exigem saberes sobre esse sujeito que aparece nos consultórios, nas escolas, nas empresas, e povoa o mundo.

Evento: Mariko Mori - Oneness.
Data: até 03/04/2011.
Onde: CCBB Brasília
Endereço: SCES Trecho 2, conjunto 22.
Mais informações: (61) 3310 7081
Gratuito.

* Revista Psique 62. Coluna Panorama Cultural, por Adalene Sales.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Dica de Leitura


Já nas bancas a revista Psique Ciência Vida, nº 60.

Veja a minha coluna aqui.

Conteúdo desse número.

Capa: Fundamento
Por meio de uma análise psicanalítica, saiba quais são as emoções que nos motivam e nos afastam da rotina do voluntariado.

Entrevista: o físico quântico indiano Amit Goswami une Ciência e espiritualidade, e tenta sustentar a existência do inconsciente sob essas esferas.

Matérias

Perfil: o polêmico psicanalista José Ângelo Gaiarsa dá sua última entrevista, e revela o descontentamento com o mundo.

Novo conceito: psicoembriologia estuda a vida no ventre e analisa o desenvolvimento psicoafetivo dos fetos.

Dossiê: neurologia infantil.

E mais:

O olhar do psicanalista. Por Jorge Forbes.
Sucesso, êxito e destque nos colocam, muitas vezes, fora do senso comum, nos diferenciando dos outros. É desta forma que nos sentimos sozinhos, deslocados do nosso meio social e angustiados.
Pertencer ao grupo exige que cada um ceda em partes suas características singulares para caber no uniforme grupal.

Psicopositiva. Por Lilian Graziano.
O que a ciência tem a dizer sobre essa tal felicidade? A psicologia positiva possui uma história recente no Brasil, mas já nos mostra força, conquistando cada vez mais simpatizantes por onde passa.

In foco. Por Yves de La Taille.
Como refletir sobre notícias que chocam o senso comum, quandos muitos, em uma sociedade gélida, buscam o autorrespeito? Espetáculos bárbaros como o "rodeio das gordas" desfrutam da cultura da vaidade, agridem a moral e silenciam a dignidade.

Ode ao ato criativo. Por Eduardo Shinyashiki.
A velocidade voraz, associada à maior característica da modernidade, nos leva à inconsciência de agir, deixando o piloto automático no comando de nossas vidas. Parar e refletir serve como combustível para uma guinada na vida pessoal e profissional.

Livros. Por Anderson Fernandes de Oliveira.
Resenhas.

Divã Literário: Feliz Desaniversário. Por Suely Gevertz.

Cinema: Comer, rezar e amar. Por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps.

Palavras: Todo o poder à criança. Por Rubem Alves.

Editora: Escala
Preço: R$ 8,90


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

CIBERCULTURA E TRANSIÇÃO DESENVOLVIMENTAL: TORNAR-SE MÃE

Adalene Torres Barreto Sales** (Instituto de Psicologia, Universidade Federal da Bahia), Denise Maria Barreto Coutinho (Universidade Federal da Bahia), Ana Cecília de Sousa Bittencourt Bastos (Universidade Federal da Bahia).

Um rápido olhar sobre a contemporaneidade faz ver que as novas tecnologias da informação e comunicação estão tão imbricadas no nosso cotidiano, que é impossível imaginar atividades diárias sem suportes midiáticos (CDs, internet, telefones móveis, TV). Dentre essas tecnologias, a Internet parece ser a mais revolucionária em termos de dissolução de fronteiras e integração global nos variados aspectos da vida sociocultural e econômica de indivíduos e grupos. Mundialmente, há cerca de 1,8 bilhões de internautas. A cada minuto, 500 mil pessoas estão se conectando pela primeira vez em todo o mundo. A Internet já é o terceiro meio de comunicação do Brasil, sendo que, em dezembro de 2009, o país contava com 67,5 milhões de internautas. Na medida em que privilegia o conteúdo gerado por usuários em interação, a Internet desempenha importante papel na construção de significados e símbolos a partir dos quais o sujeito expressa seus sentimentos e elabora julgamentos. Vale notar que essa construção nas redes sociais virtuais se configura a partir de trocas simbólicas entre sujeitos que não se conhecem pessoalmente e da interação destes com conteúdos disponibilizados. A natureza e as dimensões atuais da Internet sugerem que parte significativa das atividades de construção de significados se dá na interação realidade virtual-sujeito-realidade concreta. O sujeito contemporâneo transita intensamente entre realidades, trocando palavras, transformando suas crenças e transformando-se, forjando novas identidades e formas de ser no mundo. Partindo dessas considerações, este estudo utiliza a abordagem autoetnográfica para discutir e descrever como é tornar-se mãe nesse lugar de sujeito que transita entre significados produzidos e compartilhados virtualmente e aqueles produzidos e compartilhados na interação face-a-face, tendo como referencial teórico o conceito de Recurso Simbólicos nas Transições Desenvolvimentais. Segundo esse referencial, o recurso simbólico auxilia o sujeito a se ajustar à nova situação, oferecendo-se como suporte para significação dessa nova experiência que lhe tirou o “chão”, possibilitando a recuperação de certa continuidade de si e do mundo, perdida em momentos de ruptura que antecedem a transição desenvolvimental. Tomamos, assim, a própria experiência de uma das autoras na transição para maternidade como uma lente que permite descrever como significados culturalmente compartilhados e construídos no contexto da comunidade virtual Pediatria Radical são incorporados no processo de tornar-se mãe. A análise da autonarrativa de uma das autoras sobre sua transição para a maternidade e inserção na Pediatria Radical, bem como dos diálogos dessa comunidade, nos indica que o fórum é um campo de intensa negociação entre significados pessoais e significados compartilhados, muitas vezes contraditórios, o que impele os sujeitos a se engajarem num intenso processo de construção de novos significados ou significação de experiências. A construção de novos significados sobre si e sobre o mundo permite melhor ajuste ao contexto social, ao mesmo tempo em que devolve o senso de continuidade de si. Tais resultados prévios corroboram o que vem sendo produzido a respeito da utilização de recursos simbólicos em transições desenvolvimentais, pela Psicologia Cultural do Desenvolvimento.

Palavras chave: autoetnografia, , transição para maternidade, cibercultura.

* Resumo submetido e aprovado para apresentação na sessão coordenada "Psicologia e Cultura", coordenada pela Profa. Elaine Rabinovich, na XL Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia.